Hoje eu fui até a Câmara de Vereadores. E confesso: é sempre uma aventura — nem sempre das boas — acompanhar uma sessão ali, presencialmente.
E já vou avisando: o título de “quinta série” que volta e meia é atribuído ao comportamento de parte dos nossos vereadores, não é exagero, não! É retrato. E dos mais fiéis. Calma que já te explico…
VÁ ACOMPANHAR UM SESSÃO!
Se você, que está lendo isso agora, nunca foi até o plenário da Câmara assistir a uma sessão… vá. Um dia, vá. Eu insisto. Você vai sair de lá com a mesma cara de espanto que eu. Porque o que acontece nos bastidores (ou melhor, ali mesmo, na sua frente) é inacreditável.
Começa pelo desrespeito com o horário. As sessões são às segundas e quartas, sempre às 14h. Mas parece que isso é só um detalhe. Dá duas da tarde e tem vereador indo ao banheiro, batendo papo, tomando café. Começa a sessão, e parece que é hora do recreio.
HOMENAGEM PELOS 202 ANOS DE PG
Começou ontem, e deve seguir pelas próximas sessões até o dia 15 de setembro, uma série de apresentações musicais no início de cada sessão. O Zek, do Conservatório Musical, levou um aluno — meu xará, Eduardo — pra cantar e tocar violão. Uma cena legal, simples, de valorização cultural.
E o que fizeram os nossos parlamentares?
Alguns no celular. Outros nem aí. Teve vereador que viu que ia ter música e simplesmente saiu do plenário. Foi constrangedor. Um descaso completo com dois artistas da nossa cidade.
Mas aqui, justiça seja feita: Joce Canto, Guilherme Mazer e Geraldo Stocco acompanharam tudo de forma atenta. Stocco, inclusive, se levantou do seu lugar, na ponta oposta do plenário, e foi até um local em que pudesse assistir melhor. Fez o mínimo. Mas, naquele contexto, virou exceção.
ATUALIZAÇÃO: Corrigindo uma injustiça! Estava nas minhas notas e não foram incluídos no texto inicial, mas os vereadores da mesa, Julio Kuller e Dr. Erick também estavam atentos o tempo todo na apresentação.
MAS A BALBÚRDIA AINDA PROMETIA MAIS!
Na parte da Comunicação Parlamentar, então, uma grande festa… um fala, e os outros, zero atenção. Um olhando pro teto, outro cutucando o WhatsApp, outro zanzando pela sala como se estivesse procurando o chinelo em casa.
Aliás, fica um alerta aqui pro presidente da Casa, Julio Kuller: dá uma olhadinha na cadeira do vereador Leandro Bianco. Deve estar com problema. Ele não para sentado mais que dois, três minutos. Será que tá com formiga? Tá pinicando? Dando choque? Porque ele levanta o tempo todo. Toda hora. Não aguenta ficar quieto. E ontem, foi justamente dele que saiu o episódio mais lamentável do dia.
SEXISMO OU PIADA DE 5ª SÉRIE?
Durante a votação de um projeto da vereadora Teka dos Animais, que concedia o título de Cidadão Honorário de Ponta Grossa ao deputado federal Delegado Matheus Laiola, os microfones da transmissão estavam desligados, como sempre acontece durante as votações formais.
E aí, meu amigo, quando o som é cortado, entra em cena a “quinta série”.
Após uma lista de piadas internas, foi nesse momento que o vereador Leandro Bianco soltou a seguinte frase:
“De novo? É muito Laiola, Teka! Teka já deu pra ele, pra mãe dele, pra tia dele, pra ele…”
Sim. Ele disse isso. Alto, claro e debochado. E a resposta dos colegas? Gargalhadas. Destaque pro vereador Florenal, que riu como se fosse a piada do ano. Logo em seguida, o vereador Professor Careca, lá da mesa diretora, olhou pro Bianco e soltou: “O louco, hein, pastor?”
Por sorte, eu estava gravando. Porque se eu trouxesse isso aqui apenas no relato, duvido que muita gente acreditaria.
Terminei a sessão perplexo e procurei a vereadora Teka. Perguntei se ela tinha ouvido o comentário e se, como mulher, representante das mulheres no plenário, em nenhum momento tinha se sentido ofendida com o que tinha sido dito. Ela me respondeu que não havia ouvido (de fato, estava longe do vereador Bianco no momento). Mais tarde, enviei o vídeo pra ela. E recebi a seguinte nota:
“Após assistir ao vídeo, reforço que, naquele momento, não identifiquei qualquer conotação ofensiva direta a mim. Sempre fui tratada com respeito por todos os colegas desta Casa, e continuo sendo.
Aproveito para esclarecer que não autorizo o uso da minha imagem ou voz em quaisquer materiais que busquem criar interpretações que não correspondem à realidade dos fatos ou que possam fomentar polêmicas infundadas.
Acredito no jornalismo ético e responsável, e me coloco à disposição para qualquer pauta séria e respeitosa.”
Tudo bem, vereadora. Respeito sua opinião. Mas lamento. Lamento porque esse tipo de comentário não precisa ser “direto” pra ser ofensivo. Ele é ofensivo. É sexista, maldoso, machista, misógino, desrespeitoso, preconceituoso, humilhante, abusivo, retrógrado e mais um caminhão de adjetivos que eu poderia listar. E, principalmente! NÃO CABE, de jeito nenhum, dentro do plenário da Câmara Municipal em uma sessão ordinária.
A senhora, como representante, poderia ter se posicionado de forma mais firme. Poderia, inclusive, ajudar a combater esse tipo de comportamento que ainda é tratado como “brincadeira”. Não é brincadeira. É falta de respeito. É falta de postura. E é falta de decoro.
Mesmo assim, receba meu respeito. E meu abraço. Talvez tenha se incomodado sim, mas optou por não se indispor. É uma escolha. Mas uma pena. Porque a omissão, nesse caso, ajuda a normalizar esse tipo de atitude.
Questionei a Câmara sobre a declaração, mas até o momento sem resposta.
E O VEREADOR?
Ao vereador Leandro Bianco, eu digo: sim, eu sei que foi uma “brincadeira”, como o senhor mesmo me respondeu quando perguntei se iria se manifestar.
Mas convenhamos: é o tipo de brincadeira que envelhece mal. Que não cabe em ambiente público, e menos ainda na Câmara Municipal, durante uma sessão ordinária.
O senhor foi eleito. Isso vem com bônus — mas também com ônus. E entre eles, está o mínimo que se espera: manter o decoro.
Se a presidência da Câmara não consegue controlar esse tipo de comportamento, que saibam que tem gente observando. Gravando. Registrando. E mostrando pra população o que realmente acontece quando os microfones da transmissão são desligados.
Afinal, nem 1% dos moradores de Ponta Grossa já pisou naquela Câmara. Então, quando eu vou, não vou por mim. Eu sento ali pra ser, como jornalista, os olhos e ouvidos de quem não pode estar presente.
E para a tristeza de muitos, aviso: continuarei marcando presença!