O saudoso Silvio Santos no, mais saudoso ainda, programa Tentação, já cantava: “Não sei se vou ou se fico… não sei se fico ou se vou…”. Na Prefeitura de Ponta Grossa a coisa parece estar no mesmo patamar. “Se vou eu sei que não fico… se fico eu sei que não vou!”. E o sinal mais claro disso tudo foi a publicação e o cancelamento de uma licitação em menos de 3 dias.
Senta que lá vem a história!
LICITANDO MERENDA PARA A GAROTADA
Na terça-feira, 12 de agosto, o Diário Oficial de Ponta Grossa trouxe um edital que chamou atenção logo no primeiro parágrafo: R$ 96,53 milhões para contratar uma empresa responsável por todo o serviço de merenda escolar da rede municipal. Tudo incluso (do pré-preparo ao preparo, fornecimento de ingredientes, logística de entrega, supervisão, até manutenção dos equipamentos usados nas cozinhas). UAU! Que benção!
MAS POR QUE, SE NÃO VEMOS NINGUÉM RECLAMANDO DA MERENDA?
Essa é a pergunta que ainda estou tentando decifrar. O alto valor, o objeto da contratação e a abrangência do contrato acenderam o alerta de muita gente. Servidores da Educação, vereadores e cidadãos começaram a se perguntar: isso significa terceirizar tudo? O que vai acontecer com as merendeiras concursadas? Segundo o SindiServ, hoje são 546 serventes, que se dedicam para fornecer carinhos aos estudantes da rede municipal.
A RESPOSTA NÃO CONVENCEU!
No dia seguinte, a Prefeitura tentou acalmar o clima. Em nota, garantiu que a proposta “prevê a ampliação do número de equipes e dos serviços oferecidos, não prevendo qualquer dispensa ou alteração de função para os servidores que integram o quadro da Secretaria Municipal de Educação”.
Mas, calma, caro leitor, porque a polêmica não esfriou com essa resposta (que não convenceu ninguém, diga-se de passagem). Pelo contrário, cresceu. E, nesta sexta-feira (15), apenas três dias depois de publicar o edital, a própria gestão municipal voltou ao Diário Oficial para cancelar o pregão.
A Prefeitura Municipal de Ponta Grossa informa que o Pregão Eletrônico nº 86/2025 encontra-se temporariamente suspenso para a realização de adequações técnicas no edital e para a ampliação do prazo de participação, visando assegurar maior competitividade entre as empresas interessadas.
Concluídos os ajustes necessários, será promovida a republicação do instrumento convocatório, com a definição de novo cronograma para a continuidade do certame.
AS CERTEZAS QUE FICAM!
O caso deixa no ar três certezas: a primeira é que a discussão sobre terceirização na merenda escolar ainda vai render muito assunto; a segunda é que, quando cifras desse tamanho aparecem, a reação pública é rápida (e, às vezes, suficiente para fazer a Prefeitura recuar); terceiro é que tem gente batendo cabeça na parede na secretaria de educação – seja por bobagem, por ódio ou até por incompetência.
E eu continuo perguntando… MAS POR QUE, CARA-PÁLIDA? QUEM RECLAMOU DA MERENDA PARA QUE SEJA PRECISO TERCEIRIZAR?
Será que tem um belo de um bolo assando no forno para uma empresa muito especial? Aí, sim, hein, dá pra compreender!