Olá, animaizinhos. Aliás, alguns, sempre, mais do que outros. Mas vamos em frente!
Frequentar a Câmara de Vereadores de PG é sempre uma surpresa. Às vezes, não das mais agradáveis, devo confessar. Até porque tem coisa que a gente demora a entender se realmente aconteceu ou foi uma pegadinha do Mallandro!
MAS O QUE ACONTECEU, DUDU?
Segunda-feira, 2 de março de 2026. Sessão normal na Câmara. Projetos em primeira e segunda discussões. Pedido de vistas aqui, um chorinho ali, e tá tudo certo. Jogo sendo jogado!
AINDA NÃO ENTENDI, DUDU!
Sabe o que realmente me chamou atenção? Não, não foi o pedido de vistas feito pelo vereador Pastor Ezequiel (DC), líder do governo, para suspender a emenda à LOM que permitiria os vereadores acessar o Sistema Eletrônico de Informações da Prefeitura para fiscalizar o Executivo. Foi o que veio depois.
VAI FALAR OU NÃO VAI?
Vou!
Hoje, a secretária de Educação, professora Joana D’arc Panzarini Egg (e não Esméria Savelli, como alguns jornalistas desinformados têm dito por aí), estava no plenário atendendo convocação oficializada pelo vereador Guilherme Mazer (PT). Assunto sério. Merenda escolar. Polêmica! Assunto do momento! Questionamentos. Técnicos da pasta presentes. Vereadores fazendo perguntas (alguns, porque outros foram embora). Representantes eleitos pela população cobrando explicações.
Democracia funcionando em uma plenitude interessante. Ou quase!
ENTÃO SE TAVA TUDO CERTO, O QUE TINHA DE ERRADO?
Em determinado momento, o líder do governo (vereador Pastor Ezequiel) retorna ao plenário. Já passava da metade da discussão com a secretária de Educação. Do vereador, sacolinha na mão. Branquinha. Dentro, um pacotinho meio engordurado. Um suco de uva acompanhando.
NÃO, VOCÊ NÃO VAI DIZER QUE ELE MANDOU BALA, VAI?
Sim!
Senta-se em seu lugar de praxe e, enquanto os colegas questionam a secretária e os técnicos tentam esclarecer pontos relevantes da educação municipal, ele inicia um… lanche.
Uma coxinha. Mastigada com tranquilidade. No meio da sabatina.
Não é exagero. Ninguém me contou. Eu vi!
E fotografei, claro…
MAS O QUE TEM COMER UMA COXINHA ENQUANTO OS RUMOS DA CIDADE SÃO DISCUTIDOS?
Eu é que pergunto: o que tem comer uma coxinha enquanto os rumos da cidade são discutidos?
E aqui não é sobre a coxinha. Nem sobre o suco de uva, que deveria estar geladinho! (aliás, Bueno e Leandro Bianco só faltaram fazer um brinde com suas latas!) Cada um come o que quiser, onde quiser, na vida privada. O problema é outro. É o que isso quer dizer da relevância da discussão para suas posições no Legislativo.
VOCÊ ESTÁ EXAGERANDO, DUDU!
Estamos falando de uma convocação oficial. De uma secretária municipal sendo questionada sobre um tema que mexe com milhares de famílias, crianças e, principalmente, recursos públicos. Meus e seus! Alimentação nas escolas. Um contrato de mais de R$ 80 milhões de reais. E o líder do governo, que deveria estar atento, defendendo, argumentando, ouvindo… está lanchando.
MAS NÃO PODE?
Pode? Talvez.
Sejamos francos. O Regimento Interno da Câmara não proíbe explicitamente comer no plenário. Só que aí começa um debate curioso. Precisa realmente estar escrito?
Bem… o regimento também não diz que é proibido soltar um arroto no microfone. Não fala que não pode tirar um cochilo na cadeira. Não impõe explicitamente um artigo proibindo a abertura de uma marmita com frango assado durante a votação de um projeto importante. Por incrível que pareça, o Regimento Interno sequer prevê, por exemplo, que seja proibido pintar as unhas enquanto alguém ocupa a tribuna (se bem que esse dia está próximo, pode apostar!).
Fato é que nem tudo precisa virar inciso, parágrafo, ou uma seção específica de ‘podes’ e ‘não podes’.
Existe algo chamado bom senso. Tá, chamemos isso de decoro. Um certo respeito institucional com a Casa, com o presidente, com a população E COM A SECRETÁRIA, que estava na Mesa Executiva, fazendo das tripas coração para responder à Santa Inquisição.
MAS O QUE DISSERAM OS ENVOLVIDOS?
Relutei muito em abrir espaço para o vereador se pronunciar. Dizer que estava com fome, pra mim, não valeria sequer publicação ‘do outro lado’. Mas fiz jus ao meu diploma e enviei uma mensagem no Whatsapp dele, com a foto em questão, questionando se gostaria de se manifestar.
Até o momento, nada. Se houver, colocar aqui posteriormente.
E QUEM MAIS?
Após a sessão, questionei o presidente da Câmara, vereador Júlio Küller (MDB). Ele reconheceu a importância da convocação, classificou os esclarecimentos como transparentes e relevantes. E foi direto: considera, sim, um desrespeito o que houve. Disse que não percebeu a cena no momento, mas não minimizou o gesto. “Não percebi esse lanche, mas se isso realmente foi feito é um desrespeito com a Casa e com a pessoa da secretária que veio até aqui prestar seus esclarecimentos”, disse.
AGORA VAI COMEÇAR A CHAMAR DE VEREADOR COXINHA, NÉ?
Sim, vereador Coxinha! Como você adivinhou?
Importante dizer: não se trata de caça às bruxas e nem de transformar uma deliciosa coxinha em um escândalo gastronômico.
Mas quando a política vira rotina, torna-se automática, quando o plenário vira extensão da lanchonete e quando a discussão pública divide espaço com a hora do rango, algo fica no meio do caminho: a postura!
Porque, vamos lá! Se alguém achar normal comer no plenário enquanto se discute o rumo da cidade, talvez o problema não esteja no regimento, mas sim na moral que tem sido usada para medir o que se tornou aceitável.
A Câmara não é sala de estar. O plenário não é cantinho do café. Convocação de secretário não é intervalo de escola, certo?!
É a Casa de Leis e, goste-se ou não, cada gesto ali comunica alguma coisa.
O melhor seria que fosse comunicado o respeito com o dinheiro público.
É pedir muito? Não deveria!

