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Cena POP: Como nasceu o meme ‘Caetano estaciona no Leblon’ que completa 10 anos na web?

Olá, animaizinhos. Como têm passado?

Tem coisa que nasce pequena e vira gigante (seu malicioso!). Às vezes sem querer, às vezes por puro acaso. E nas redações de jornalismo isso não é diferente. Diversos materiais que são uma aposta grande, às vezes, flopam! Em outros, algo que ninguém esperava, de repente, começa a ganhar uma projeção que fica difícil de entender.

POR QUE TÁ DIZENDO ISSO, DUDU?

Porque nessa semana tivemos aniversário. Completaram-se 10 anos de um dos memes mais improváveis da internet brasileira: “Caetano estaciona o carro no Leblon”.

Se você nunca viu, a manchete é exatamente isso. Sem metáfora nenhuma e sem interpretação filosófica. Apenas a informação imprescindível de que o bom baiano tinha estacionado seu carro no Leblon. UAU!

Sim. E isso virou notícia. Em um site nacional!

É UM ABSURDO?

Até é, mas agora vem o legal da coisa! O mais curioso não é o meme em si, mas sim, o bastidor que resultou neste clássico.

E COMO VOCÊ SABE?

Eu não sei, uau.

Quem contou essa história foi o jornalista Gabriel Perlini, que trabalhou no portal Terra na época. Segundo ele, a redação era grande, com algo em torno de 20 jornalistas entre efetivos e freelancers.

A autora da nota é uma jornalista respeitada, que vinha do caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo. Uma profissional de texto refinado, acostumada a fazer crítica cultural, entrevistar artistas internacionais, discutir cinema, música, literatura… só coisa boa!

Aí, então, ela se viu numa redação onde o pedido editorial era outro. Segundo Perlini, basicamente tinha que se produzir volume.

AH, TÁ BRINCANDO QUE ISSO ACONTECE!

É… acontece, bonitão!

Segundo Perlini, os editores (responsáveis pelo conteúdo) tinham uma obsessão por cliques. Qualquer pacote de fotos enviado por agências de paparazzi virava potencial “notícia”. E quando chegava um e-mail da AgNews, uma agência conhecida por fotografar celebridades em todo lugar, a redação entrava em modo automático.

Nem precisava de ordem! Chegava foto? Publicação!

Perlini conta que, entre escrever o obituário de um grande artista e fazer uma notinha sobre celebridade em situação constrangedora, a prioridade quase sempre ia para o que rendesse clique mais rápido.

O jornalista conta que foi nessa vibe “saudável” que nasceram aquelas figuras típicas da internet da época, como a Peladona de Congonhas, a Musa do Impeachment, Sabrina Boing Boing entre outras pessoas que foram levadas pelas celebridades seguintes.

MAS COMO TRANSFORMA ISSO EM NOTÍCIA?

Esse era o desafio, animalzinho! Diz ele que, às vezes, o e-mail da agência vinha com algo do tipo: “Loira fica peladona em Congonhas”. Sem contexto. Sem informação. Sem reportagem.

E a ordem era simples: “Corre com isso e faz uma nota”.

MEEEEHH…

É… meeeehhhh!

Num desses pacotes de fotos apareceu Caetano Veloso, atravessando a rua no Leblon depois de estacionar o carro. E aí veio a ordem.

“Faz uma nota.” (eu teria rido, kk)

A jornalista, segundo Perlini, simplesmente fez o básico. Nada de inventar história, criar narrativa ou forçar importância. Ela escreveu o que estava vendo.

“Caetano estaciona carro no Leblon nesta quinta-feira.”

Pronto. Publicado.

HAHA… PARECE PIADA, ATÉ!

A matéria ainda existe no ar até hoje no Terra.

Clique no link abaixo pra ver.

https://www.terra.com.br/diversao/gente/caetano-estaciona-carro-no-leblon-nesta-quinta-feira,41d3399ae915a310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

Diz ele que, na época, ninguém deu muita bola. Era só mais uma das milhares de notinhas rápidas que enchiam as páginas do portal. Até que, em 2012, alguns jornalistas começaram a lembrar da manchete nas redes sociais. Em tom de piada. Um clássico do “anti-jornalismo”.

A brincadeira cresceu. E começou a caça ao autor da pérola.

Gabriel Perlini virou suspeito. Ele mesmo contou que, quando viu seu nome marcado nas discussões no Facebook, chegou a pensar: “vai ver fui eu mesmo… escrevi tanta coisa estranha naquela época”.

Mas havia um detalhe salvador. A nota foi publicada em 10 de março de 2011. E naquele dia específico Perlini estava voltando do Rio de Janeiro, depois de cobrir o Carnaval. Inclusive tinha ganhado folga na redação. Ou seja: tinha álibi.

Mesmo assim a discussão continuou no grupo de jornalistas tentando descobrir quem tinha escrito aquilo.

Até que a própria autora mandou uma mensagem privada para ele. “Fui eu.” Segundo Perlini, eles riram bastante da situação. E ela aproveitou para desabafar sobre o que era trabalhar naquela fase da redação: uma rotina em que jornalistas talentosos eram obrigados a produzir “não-notícias” apenas para gerar tráfego.

Pouco tempo depois, aliás, ela deixou o portal Terra, pois ganhou uma bolsa para fazer mestrado na Dinamarca e está morando lá até hoje.

Perlini conta na thread que aquela fase do Terra marcou o início de uma crise editorial. Depois da saída do então diretor Edson Rossi, vários jornalistas experientes foram deixando o portal, entre eles nomes como Milly Lacombe e Tato Poloni.

Segundo ele, a estrutura editorial se deteriorou rápido, e, digamos… o episódio de Caetano estacionando o carro acabou virando um símbolo involuntário daquele momento.

MAS ATÉ HOJE FALAM DISSO?

Sim, animalzinho. Até hoje! Poucas notícias resumem tão bem o espírito caótico da internet dos anos 2010 quanto essa.

Caetano estaciona o carro no Leblon.

E, de alguma forma inexplicável… isso entrou para a história.

O que será que Caetano fez nesta quinta-feira, hein?

(clique aqui, acesse o perfil do Gabriel Perlini no X e confira essa história contada por ele)

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Sobre o autor

Eduardo Vaz

Eduardo Vaz

Jornalista multimídia e produtor executivo de rádio e tv, com passagens por Band, Grupo Ric, Rede Massa SBT, entre outros meios de comunicação.

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