Tem gente que acha que política é guerra. A prefeita Elizabeth Schmidt (UB) parece estar nesse grupo, e não no time que entende que, depois do voto em plenário, todo mundo ainda tem que sentar na mesma mesa para um cafezinho cordial.
Com o pacote de reajuste fiscal, aquele que aumentou o IPTU e o ITBI e causou mais azia que feijoada requentada, ela não só obrigou a base a votar “sim” como tratou de punir quem ousou dizer “não”. Exonerações, falta de atendimento, recados tortos… Resultado? Uma bela indigestão! Conseguiu ressuscitar dentro da Câmara uma oposição que estava em coma profundo.
A lista de desafetos começa com Joce Canto (PP), que estava fora no dia da votação e reclamou de a pauta ter caído de paraquedas. Passa por Geraldo Stocco (PV), que não engoliu o projeto e votou contrário, e até por Guilherme Mazer (PT), que votou a favor, mas é oposição por natureza.
E aí vem a parte mais saborosa:
- Enfermeira Marisleidy (PMB) disse “não” por convicção, perdeu cargos indicados e ganhou um processo interno no partido (oficialmente por outros motivos, mas a gente sabe como funciona o “coincidentemente”).
- Dr. Erick Camargo (PV), ex-amigo da prefeita, agora reclama que secretário não atende mais ligação. Pra completar, virou alvo de processo de violência política de gênero movido pela secretária Camila Sanches, com direito a bênção do alto escalão.
- Leo Farmacêutico (UB) também foi contra, viu aliados serem exonerados e descobriu que tapinha nas costas evapora mais rápido que perfume do Paraguai.
- Maurício Silva (PSD), que já vinha ensaiando distância, agora deve entrar de vez na dança contrária.
Mas e o Ricardo Zampieri? Apesar do voto contrário ao projeto, não houve rompimento direto com a prefeita Elizabeth. Este, sim, deve continuar com alguns cutucões, mas em geral, na base.
Somando, são sete votos capazes de azedar projetos estratégicos. Mazer, Stocco, Erick, Leo, Marisleidy, Joce e Maurício não têm a capacidade de virarem o jogo sozinhos contra os 12 fiéis da base, mas são suficientes pra deixar a prefeita com aquela insônia que nem Rivotril faz apagar.
E tem mais: oposição não vive só de voto “não”. Pode pedir CEI, CPI, convocar secretário pra explicar até o preço do cafezinho e atrasar projeto que antes passava no trator. Vale a pena?
Exemplo é essa CEI da licitação do CRAR, de R$ 32 milhões. Pedida pela Joce Canto! Terá presidência do Florenal (Podemos) e participação da Teka dos Animais (UB), ambos muy amigos de Bethinha, mas a relatoria da Joce Canto é, sem dúvida, o cargo mais importante. O bicho pode pegar.
No fim, Dona Beth vai ter que escolher entre engolir o orgulho e puxar papo com quem expulsou da casinha, ou se continua colecionando inimigos. Se seguir pelo segundo caminho, vai ter que se acostumar com um barulho que, até pouco tempo, ela mesma ajudava a calar.
O que será, o que será, hein?