Azedou geral: Secretária de PG vai à Justiça contra vereador por violência política de gênero

A política ponta-grossense ganhou mais um capítulo de novela, daqueles que ninguém escreve todo dia. Que tal, hein? Televisa fica de olho por aqui porque pode sair trama para suas mexicanas!

A secretária municipal de Família e Desenvolvimento Social, Camila Sanches, anunciou hoje pela manhã que vai processar o vereador Doutor Erick Camargo (PV) por violência política de gênero.

Segundo Camila, o estopim foram mensagens e falas com termos como “secretariazinha”, “coitadinha” e “Camilinha”, usadas depois que ela não respondeu ao WhatsApp no ritmo que o parlamentar gostaria. Ela afirma que também ‘ouviu’ a ameaça de ter a porta do gabinete arrombada “no bicudo”. Tudo isso, de acordo com ela, registrado em grupos de WhatsApp, mensagens privadas e até sessões da Câmara. Todo esse material já está anexado ao processo e, alguns prints, foram divulgados pelo Blog do Johnny hoje à tarde.

O vereador nega qualquer violência e diz que as críticas são à gestão, não à pessoa. Reforça que fiscaliza todos os secretários e que suas falas estão amparadas pela imunidade parlamentar. Erick classificou a ação como “equivocada” e disse que a secretária não está imune a críticas:

“Quem ocupa função pública precisa estar aberto a cobranças, ainda mais numa secretaria que atende diretamente pessoas em situação de vulnerabilidade. Vou continuar apontando erros e cobrando soluções.”

O caso acendeu, de novo, o debate sobre violência política de gênero, que inclui qualquer ato para tentar reduzir, intimidar ou limitar a participação de mulheres na vida pública. Nas redes sociais, a secretária Camila foi direta nas palavras e o que pensa:

“Eu não tenho medo de homens covardes, machistas e misóginos. Se tivesse, não seria advogada, nem teria dedicado minha carreira a defender os direitos das mulheres. Ataques como esse não podem ficar impunes.”

Na sessão da Câmara, no dia 4 de agosto, ele já havia reclamado de não ser atendido por secretários (segundo ele, por ordem da prefeita Elizabeth Schmidt, após seu voto contrário ao Plano de Ajuste Fiscal que elevou o IPTU). Nesse discurso, citou nominalmente Camila.

Reveja!

Um detalhe que a confusão expôs: a indicação política da secretária. Ela é filha do reitor da UEPG, Miguel Sanches Neto, e chegou ao cargo por articulação do PV, possivelmente com aval do deputado federal Aliel Machado. Isso, claro, não invalida sua competência técnica ou o trabalho que realiza. Ressalto que é gratificante e impressionante conversar com a secretária e perceber o amor que ela dedica às causas sociais, além da competência técnica para o cargo, mas essa indicação mostra como funcionam as engrenagens políticas.

Depois de tudo, o presidente da Câmara, Julio Küller, divulgou nota dizendo que o Legislativo “não tolera violência contra mulheres” e que o caso será analisado pelo controle interno e pelo jurídico. A Casa, segundo ele, vai cumprir decisões judiciais sobre o assunto.

Curioso é que, quando o vereador Leandro Bianco soltou, em plenário, a frase “Teka deu pra ele, pra mãe dele, pra tia dele” (referindo-se ao deputado Matheus Laiola), não houve uma linha sequer da Câmara sobre violência de gênero. Estranho, né, presidente? Será que a proximidade com a prefeita pesa no discurso?

 

Resumo da ópera:

  • Camila, indicada por Aliel e com a bênção da prefeita Elizabeth Schmidt, leva a briga para a Justiça.
  • Vereador Dr. Erick, que já teve boa relação com a prefeita, rompe de vez com o Executivo.
  • A disputa expõe articulações políticas, ressentimentos pós-votação do IPTU e um clima de ruptura que dificilmente será resolvido com um simples aperto de mão.

Ressalto aqui meu apreço por ambos, o vereador Dr. Erick e a secretária Camila. Os dois, SEMPRE foram muito solícitos com este que vos escreve. É, de fato, uma pena o que aconteceu por… política!

E o senhor, aí! Comendo pipoca e esperando o próximo capítulo… Amanhã, bonitão! Amanhã… aguarde e verás!

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Sobre o autor

Eduardo Vaz

Eduardo Vaz

Jornalista multimídia e produtor executivo de rádio e tv, com passagens por Band, Grupo Ric, Rede Massa SBT, entre outros meios de comunicação.

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