Essa é pra você, caro espalhador de fake News, que costuma ler apenas os títulos e ter a certeza de que está informado o suficiente para sair contando pra todo mundo: “Oh, o Doritos e o M&Ms não são recomendados para o consumo humano! Largue mão disso!”
Você costuma ter esse tipo de atitude? Replicar tudo sem sequer ter certeza do que se fala? Eu poderia adjetivar muito o seu comportamento, mas prefiro que preste atenção no desserviço que vem fazendo! Apesar de não ser uma notícia completamente falsa, acredite: o título não indica o real teor do conteúdo! E isso é cada vez mais comum em sites e postagens que querem apenas o seu clique e a sua atenção, entendeu?
Agora que você que clicou na notícia já foi esfregado o suficiente para entender que nem tudo é o que parece, vamos entender a verdade sobre essa história!
ENTÃO POSSO CONTINUAR COMENDO DORITOS E M&Ms?
Sim, cara-pálida. Pode! E olha que a notícia que vou trazer tem mais de um mês e só agora você foi ficar sabendo. Sabichão, bem-informado!
A treta é a seguinte. Enquanto os Estados Unidos discutem há anos o que fazer com certos aditivos alimentares, o estado do Texas resolveu tomar uma decisão: se um ingrediente é desaconselhado por autoridades sanitárias da União Europeia, do Reino Unido, do Canadá ou da Austrália, o consumidor texano deve ser avisado no rótulo. Algo tipo já acontece no Brasil, desde 2022, com aquelas indicações de “ALTO TEOR EM…”
O projeto, batizado de “Make Texas Healthy Again” (faça o Texas saudável novamente, em tradução livre), virou lei no dia 22 de junho de 2025, sancionado pelo governador Greg Abbott. O texto passou pelo Senado e pela Câmara de Representantes do estado e teve apoio tanto de republicanos quanto de democratas.
Breve pausa: isso, por si só, já seria notícia! Consenso em tempos de polarização motivada por Donald Trump virou artigo de luxo!
Seguindo…
A lógica da nova legislação é que se outros países, com estruturas regulatórias bem estruturadas, vetam ou restringem certos compostos em alimentos, o consumidor tem o direito de saber disso antes de colocar o produto no carrinho do mercado. A regra começa a valer para valer a partir de 1º de janeiro de 2027, mas só para rótulos novos ou reformulados a partir dessa data. Até lá, fabricantes e varejistas ganham tempo para se adaptar mantendo o que já existe. O aviso? Bem… pra mim, foi criado por um publicitário natureba.
“Este produto contém um ingrediente que não é recomendado para consumo humano pela autoridade competente na Austrália, Canadá, União Europeia ou Reino Unido.”
Nada de Make America Great Again nessa história! É quase como se o produto gritasse quando fosse ser pegado na prateleira: “Sai pra lá, sai pra lá! Não pode!”
A lista inclui 44 ingredientes, entre eles corantes como o amarelo nº 5 e o vermelho nº 40, o bromato de potássio (usado em pães e bolos), o BHA e o BHT (antioxidantes suspeitos de ligação com câncer), além do azodicarbonamida, também muito usado na fabricação de solas de sapatos (gostoso, hein?). Todos liberados nos EUA, e muitos deles ainda presentes em produtos comuns nos supermercados brasileiros, principalmente pães industrializados.
MAS E AÍ? COMO FAZ PRA TER ISSO APENAS NO TEXAS?
Bom… o Texas tem uma população de mais de 30 milhões de pessoas e a lei pode ter um impacto além das fronteiras do estado. Explico! Se as empresas forem obrigadas a adaptar produtos só para vender ali, é mais fácil que passem a adotar um padrão único para todo o território americano, não? Pode ser que, em breve, algo que começou no Texas torne-se referência nacional.
Se você chegou até aqui, então, está de parabéns. Conta aí: o título chamou a atenção, não traz toda a informação e você acreditou em algo que não era bem assim, não é mesmo? Que isso sirva-lhe de lição, como um belo tapa na bunda deixa marcas mas também ensina!
Agora você pode contar pra todo mundo que NÃO, Doritos e M&Ms não são proibidos para o consumo humano, mas levarão esse rótulo no estado do Texas por conta de uma lei local.
Tá feliz? Vai lá… pode abrir uma coquinha e um pacote de Doritos sem medo.