A quarta-feira, 20, foi quase uma panela de pressão no plenário da Câmara Municipal de Ponta Grossa. Merendeiras de praticamente todas as escolas municipais ocuparam a galeria para protestar contra a possibilidade de terceirização do serviço de alimentação escolar. Com cartazes, palavras de ordem, cartinhas dos alunos e muita vontade, foram à luta!
Confesso que não sei se no local correto, uma vez que esse projeto não tem relação com a Câmara em termos de votação. Mas, penso, vale sempre o apoio dos parlamentares na hora de pressionar o Executivo.
O edital milionário e a polêmica
Tudo começou com um edital de R$ 96 milhões lançado pela Prefeitura na semana passada, com a proposta de contratar uma empresa para assumir parte do trabalho das merendeiras. Dois dias depois, o documento foi cancelado por erros técnicos, mas a prefeita Elizabeth Schmidt já avisou: o processo deve ser republicado em breve.
A versão oficial é de que as refeições continuariam sendo preparadas nas escolas, ficando a cargo das merendeiras apenas fiscalizar a execução do contrato. Só que, sem a comunicação adequada, claro! Virou aquele telefone sem fio: cada um tirou a sua versão e entendeu a ideia como bem quis.
Voz das merendeiras
Na Câmara, a resposta das servidoras foi uníssona: não à terceirização. Os servidores deixaram claro que não aceitam mudanças na forma como o serviço é feito hoje. Cá entre nós, até porque, de tantos problemas que há na educação, a merenda escolar nunca foi um deles. Muito pelo contrário, sempre motivo de elogios!
“Senhora prefeita, não mexa na merenda” e “Se terceirizar, nós vamos parar” foram alguns dos gritos que ecoaram durante a sessão.
Uma das vozes mais firmes foi a de Tânia Lazareti, merendeira da Escola Amadeu Puppi, no Nossa Senhora das Graças. Indignada, ela resumiu a revolta das colegas.
Vereadores entram em cena
Sete parlamentares se manifestaram em apoio às merendeiras: Dr. Erick (PV), Professor Careca (PV), Joce Canto (PP), Guilherme Mazer (PT), Geraldo Stocco (PV), além de falas de Leo Farmacêutico (União), Mauricio Silva (PSD) e Ricardo Zampieri (PL).
Até confusão teve: Mauricio Silva chamou Zampieri de Alysson — o irmão dele que já desistiu da política.
No plenário, o presidente da Câmara, Julio Küller, negou a palavra ao presidente do Sindicato dos Servidores, mas prometeu liberar 10 minutos na Tribuna Livre na sessão da próxima segunda-feira.
Ministério Público e lei contra terceirização
O vereador Geraldo Stocco foi além: disse que já protocolou o caso no Ministério Público e apresentou uma proposta para incluir na lei municipal a proibição explícita de terceirizar a merenda. Com ironia, convidou o presidente Küller (muy amigo da prefeita) para ser o primeiro a assinar o pedido de urgência. (neste momento, eu ri! Kkk)
Claro, Küller não assinou. Mas Stocco conseguiu apoio, até agora, de Dr. Erick, Professor Careca, Joce Canto, Leo Farmacêutico e Guilherme Mazer. A discussão deve voltar com força na segunda-feira.
Bastidores e recados políticos
Os discursos também revelaram que a base sólida que a prefeita tinha, não é mais a mesma. Leo Farmacêutico, que recebeu uma cartinha de aluno elogiando a “tia da merenda”, disse que, se fosse decisão da Câmara, votaria contra a terceirização. Um recado claro à prefeita, após o desgaste na votação do aumento do IPTU e nas represálias.
Denúncia além da merenda
Entre tantos relatos, surgiu um problema ainda mais grave. Diversas trabalhadoras contaram que falta material de limpeza, higiene e até uniformes nas escolas. Muitas disseram estar comprando do próprio bolso, ou contando com diretoras que improvisam gastos para não deixar as equipes desassistidas.
Com medo de represálias, a maioria preferiu não se identificar. Mas uma servidora topou gravar comigo sob condição de sigilo. Para preservar a identidade, alterei a voz na publicação.
E agora, José?
Questionei o Sindicato e a Prefeitura sobre essa denúncia. Até agora, nenhuma resposta. O espaço segue aberto para manifestação, mas a cobrança também.
Enquanto isso, a mobilização das merendeiras continua. Segunda-feira promete outra galeria cheia na Câmara.
E pega fogo o cabaré…
Atualização às 10h32 com nota da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa sobre a situação:
A Secretaria de Educação esclarece que não há falta destes materiais nas Escolas Municipais de Ponta Grossa. Itens desta natureza que precisam ser repostos, em especial materiais de limpeza, são adquiridos pelas Escolas por meio do PAD – procedimento realizado enquanto um processo licitatório para a aquisição de novos materiais está em andamento.