Tem coisa que começa com discurso bonito e termina com um grande “então tá, né?”. Pelo que eu entendi, foi mais ou menos esse o clima da reunião desta sexta-feira (15) entre o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ponta Grossa (SindServ) e a secretária municipal de Administração, Isabele Moro, para falar sobre a polêmica terceirização da merenda escolar.
Hoje à tarde, conversei com Luiz Eduardo Pleis, presidente do sindicato, sobre como foi a reunião. E digo mais! Como este blog tem olhos e ouvidos espalhados por todo canto, também conversei com fontes não oficiais sobre como teria sido esse encontro fechado. E posso te dizer: teve gente que resolveu comer o brigadeiro antes mesmo da festa começar! Mas vamos do princípio…
ENCONTRO A PORTAS FECHADAS
Pleis contou ao blog que foi direto ao ponto: queria saber por que mexer em um serviço que, segundo ele, “funciona muito bem”. A reunião não foi só com o sindicato. Havia também representantes do Conselho Municipal de Educação, do Conselho de Alimentação Escolar e do Conselho de Saúde — todos contrários à ideia, além do procurador-geral do município, Dr. Gustavo da Matta, e uma assessora da secretária.
Segundo o representante do SindServ, a secretária argumentou que a terceirização serviria para ampliar o número de pessoas nas cozinhas, modernizar equipamentos e implantar uma cozinha central para atender as 177 escolas da rede. Só que, na visão do sindicato, isso não passa de justificativa mal embalada.
Outro ponto levantado foi a minuta do processo, que diz que a mudança é necessária por falta de pessoal qualificado e maquinário defasado, algo que, na visão do sindicato, não é verdade. “Não falta qualificação. O que falta é transparência”, resumiu. O acesso a esse documento, inclusive, não foi nada fácil: “O aviso do edital dizia que era só pedir… mas não funcionava assim. Tivemos que buscar no sistema interno da Prefeitura”, relatou Pleis.
Os representantes da prefeitura admitiram, durante o encontro, que o pregão eletrônico foi suspenso, mas não descartaram que seja publicado novamente após “mais discussões”. Nenhum estudo técnico consistente ou dado concreto foi apresentado para justificar a mudança. “A gente já viu esse filme com a terceirização da limpeza escolar. Prometeram que não mexeriam com os servidores… e hoje o quadro está defasado”, disse Pleis.
‘I MERENDA FOOD’
Durante o papo, segundo Pleis, a representante do Conselho Municipal de Alimentação Escolar destacou que a terceirização ameaça não só os empregos, mas também o vínculo humano entre merendeiras e alunos. Para ela, a merenda de Ponta Grossa é mais que comida: é cuidado, qualidade e um elo social construído dentro da escola.
Pleis afirmou que o estudo técnico usado pela Prefeitura é frágil e sem dados sólidos. Disse que pediu à secretária indicadores concretos de problemas na merenda, mas não recebeu resposta nem argumentos que sustentassem a mudança.
MAS E A SECRETÁRIA, SENDO DE MARINGÁ, É UM REVÉS?
Questionei o presidente do SindServ se o fato de a secretária ser de Maringá jogava contra. Pleis respondeu que sim, lembrando que ela chegou a comparar as realidades das duas cidades e a dizer que Maringá “está mais evoluída”. Para ele, qualquer inspiração externa é bem-vinda, desde que venha acompanhada de estudo técnico, indicadores claros e debate com conselhos e sindicato — e não como simples “copia e cola” de outro município.
E O FUTURO DAS MERENDEIRAS?
Pleis contou que questionou qual seria a função dos servidores se todo o preparo da merenda passasse a ser feito por uma empresa com apenas 55 funcionários para 177 escolas. Alertou que isso abriria espaço para aditivos contratuais e mudanças de função, sem respostas claras da gestão que, segundo ele, evitou contra-argumentar com dados concretos.
E OS BASTIDORES DA COISA TODA?
Agora, vamos para a parte que só este blog traz. E antes de qualquer coisa, vale lembrar: o sigilo da fonte jornalística é garantido pela Constituição Federal, no artigo 5º, inciso XIV. E aqui a regra é clara, tá bom, bonitão? Fonte não se revela, nem que fosse Times New Roman!
Pois bem. Soube por fontes fidedignas que o encontro quase não aconteceu como planejado. Ou melhor, QUASE NÃO ACONTECEU! Isso porque antes mesmo de entrarem na sala, houve uma tentativa de cercear a entrada de um dos representantes dos conselhos.
Segundo minha fonte, o clima real era de “VOCÊ, NÃO!”, por parte da secretária. O conselheiro, constrangido, chegou até mesmo a ir embora após a batida de pé da senhora excelência. O que ela não contava, era com o posicionamento forte do presidente do Sindicato que, com toda razão, bateu o pé mais forte ainda e disse que não teria reunião sem a presença do conselheiro convidado. Sem escolha, a secretária cedeu. Ele voltou!
Questionei o presidente do sindicato sobre isso e ele confirmou a veracidade dos acontecimentos.
“Nós, de fato mesmo, solicitamos a presença de um representante de cada conselho que está diretamente envolvido com essa temática, e um dos conselheiros, indiretamente, paralelo ao conselho, é assessor de um vereador. Então, houve um desentendimento por parte da Secretária e por parte desse conselheiro municipal. Isso porque, no entendimento dela, ia se fazer uma análise política de oposição. Então, o que eu coloquei foi o seguinte: Se fosse para algum dos membros que estavam ali não participar, ninguém iria participar.”
MAS QUEM ERA ESSE CONSELHEIRO, HEIN?
Pleis não revelou o nome, mas disse que fazia parte do Conselho Municipal de Saúde. Em uma busca rápida nos nomes que compõe o conselho, e de alguém que trabalhe como assessor de vereador, ficou fácil em identificar o nome de Antonio Laroca Neto. Comunicador, ex-vereador, muito envolvido com as questões da cidade e conhecedor da política princesina como poucos. Depois, uma foto no instagram do SindServ, confirmou o que já era óbvio.
Procurei o Laroca que confirmou a participação na reunião e preferiu não dar detalhes do que tinha sido discutido, indicando o presidente do sindicato como fonte ideal.
Soube que durante a reunião era perceptível o clima de uma secretária pouco à vontade com as críticas e questionamentos. Por algumas vezes, feitas tentativas de comparar Ponta Grossa com Maringá (e levando de volta a informação de que, em Maringá, a merenda é pública, fornecida internamente pela rede municipal, sob coordenação da Secretaria de Educação do município e envolvendo nutricionistas e equipes próprias de cozinha).
Além disso, uma secretária que teria deixado passar algumas respostas desencontradas sobre questões básicas para alguém que deseja questionar um sistema que funciona sem grandes reclamações, como o tamanho das cozinhas ou o estado dos equipamentos. Até mesmo o procurador-geral teria ficado surpreso com informações sobre o impacto no limite prudencial trazido pela secretária.
Entre uma resposta e outra, a frase que ecoava era: “Não tem problema na merenda”.
EDITAL CANCELADO
Um edital, segundo essa fonte, cheio de falhas e baseado em orçamentos de empresas de fora, todas com valores bem acima do preço estimado (valor indicado de R$ 120 milhões e edital aberto de R$ 96 milhões e um quebrado). “É um negócio perdido”, resumiu.
PEDIDO DE RESPOSTA
Entrei em contato com secretária informando-a que gostaria de ouvi-la sobre a reunião.
“Preciso que entrem em contato com a assessoria de comunicação do município. Boa tarde!”
Não sou o Evandro Mesquita, mas “Okay, você venceu! Batata frita!”
Encaminhei e-mail à assessoria de imprensa da PMPG e ainda aguardo respostas.
POR FIM, O FIM!
Assim como eu, outros jornalistas, vereadores, diretores, responsáveis por alunos, SERVIDORES e todo mundo quer saber: POR QUE MEXER NA MERENDA SENDO QUE NÃO SE VÊ RECLAMAÇÕES SOBRE O TEMA?
Será que não existe nada mais importante que mereça uma prioridade para ser revisto ou tem alguém levando por trás com essa história toda?
Sentimos falta apenas de respostas.
Aliás, no próximo capítulo vou explicar como uma comunicação antecipada poderia resolver boa parte dos ‘problemas-surpresa’ que a prefeitura de Ponta Grossa tem criado pra si mesma.
Bom final de semana a todos!