Já reparou como tem coisa que começa com um auê e termina com um “ufa”? Pois é. Essa história toda do tarifaço americano contra o Brasil parece mais um jogo de truco entre velhos conhecidos (literalmente). Blefe, bravata, um em cima da mesa, grito pra todo lado… e aquele aperto de mão escondido debaixo da mesa. Só que, nesse caso, a mesa era a geopolítica mundial, e ninguém tinha, de fato, o gato (ou zap, se preferir).
Por isso, criei minha própria teoria da conspiração para explicar o tarifaço Trump, que virou um tarifinho, com tantas exceções. Bom pra algum dos bonitões? Pros EUA não sei, pro Brasil, péssimo, mas ainda assim melhor um péssimo do que algo pior – e que estava na mesa. Trouxe essa teoria hoje na rádio e compartilho com vocês!
Começa assim: de tanto a ala bolsonarista cutucar, gritar contra o Xandão e alimentar fantasias de conspiração globalista, alguém do outro lado do hemisfério resolveu escutar. Trump, o reizinho laranja da polêmica, viu nisso uma oportunidade. Não pelo bigodinho do Eduardo Bolsonaro, claro. Mas porque farejar aliado é com ele mesmo, ainda mais se for do tipo que entrega o pré-sal, a Amazônia e a alma embrulhados com lacinho verde e amarelo.
Trump embarcou na pauta bolsonarista como quem compra terreno na lua: sabendo que é furada, mas querendo ser o primeiro a dizer que chegou lá. Começou a flertar com a ideia de sancionar o Brasil, também o Xandão via Lei Magnitsky, depois jogou no ventilador a ameaça do tarifaço. Era só provocação? Talvez, mas ele precisava de plateia.
Foi aí que ele gritou “TRRUUUUUUUCOOOO!”: anunciou o aumento de 50% nas tarifas pra dali três semanas. Aposta alta. O que ele não contava era que do outro lado da mesa tinha um cachaceiro, sangue quente e com faro político bem apurado. Lula, que já estava com o saco cheio de provocação velada, bateu na mesa com um “SEEEISSSS, PAPUDO!!!”. Então, o conflito deixou de ser comercial e virou pessoal. De um lado, o discurso da soberania nacional. Do outro, a retórica do “America First”.
E aí começou o verdadeiro problema! Nem Trump podia recuar depois de ter bancado o valentão, nem Lula podia arregar depois de virar símbolo de resistência nacional. O resultado? Um impasse de ego, com consequências bilionárias – o tarifaço já era certeza nesse momento.
Só que Trump, no calor da pose, esqueceu de olhar pro outro lado da conta. Tarifar o Brasil parecia bom na ideologia política de ‘Rei do Mundo’, mas atingia em cheio as exportações que abastecem o café, o suco de laranja, o agronegócio e até setores industriais dos próprios Estados Unidos. Não era só o Brasil que ia sangrar. Os eleitores americanos, aqueles que votam nele, também ia pagar essa conta.
E aí, enquanto os dois presidentes faziam cara feia, um homem entrou em cena como quem chega de mansinho na festa e resolve tudo sem levantar a voz. Sim, ele mesmo: o eterno Doutor Geraldo Alckmin – O GRANDE NOME DESSA NEGOCIAÇÃO.
Sem holofote, sem x raivoso, sem vídeo em motociata, sem comer jabuticaba. Só conversando com um, com outro, com aquele que ninguém deu bola… E foi conversando com quem realmente manda (CEOs, big techs, lobistas, empresários do agro americano) que Alckmin virou o verdadeiro articulador do recuo.
Com o lobby americano batendo na porta da Casa Branca, Trump precisou encontrar uma saída que mantivesse o orgulho em pé. A solução? Um aperto de mãos extraoficial, daqueles que você jura que nunca acontecer, mas, curiosamente, todo mundo cumpre. O tarifaço seria mantido… mas com uma imeeeeeeensa lista de exceções.
Ficaram de fora: suco de laranja, aeronaves, minérios, insumos industriais e mais uma série de itens. Ou seja: tudo que realmente interessa para os EUA e teriam uma dificuldade maior em encontrar um novo comprador.
Pra Trump, ficou o discurso de “bati na mesa e o Brasil teve que engolir”. Pro Lula, a narrativa de que “não recuamos e protegemos os setores estratégicos”. Para o VP Alckmin, o troféu silencioso de quem evitou um desastre comercial bilhões com um telefonema aqui, uma reuniãozinha ali, e uma meia colorida para alegrar o ambiente.
Mas não acabou aí. Como toda troca precisa de uma ficha simbólica, Trump exigiu um troféu: a sanção contra Alexandre de Moraes pela Lei Magnitsky. Coincidência? Foi no mesmo dia em que o tarifaço entrou em vigor que a medida contra o Xandão foi anunciada.
É difícil acreditar que foi por acaso. Mais fácil imaginar Lula ligando pro Moraes e dizendo:
— Xandão, pra salvar essa bronca, vão ter que te sancionar.
— Manda ver. Isso aí já era esperado. Eu seguro o rojão daqui.
No fim, todo mundo saiu de cena com a pose intacta.
Trump com sua narrativa de força.
Lula com seu discurso de soberania.
Alckmin com a economia brasileira respirando.
E o povo americano? Segue tomando suco de laranja brasileiro no café da manhã.
Mas calma… ainda não acabou. Ainda há cenas dos próximos capítulos a serem escritas.